Apicultura e o uso de defensivos agrícolas

Falaremos de uma atividade primordial que tem a necessidade de ser disseminada em larga escala. Percebemos que, quanto sua resposta com a polinização. Isso ajudará, principalmente, os agricultores com menos técnicas. Por isso, os dados aqui apresentados merecem uma divulgação ampliada.

Aproveitamos para agradecer aos participantes por prestiem pauta nesse evento, realizado em 5 de maio último, na sede da Fiesp, exporemos, a seguir, cinco apresentações e os comentários finais.

PANORAMA DE MERCADO

O consumo anual de mel é bem restrito no Brasil (60 gramas), bem abaixo da média mundial e da Argentina (240 gramas) e muito longe da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá (acima de 1.000 gramas). Do consumo mundial, 50% vão para o consumo direto, 36% para a indústria (alimentos, farmácia e cosméticos) e 14% para outros modelos (tabaco e ração).

Entre os maiores produtores mundiais, em mil toneladas, estão a China (550) e a Turquia (114), seguidas por Argentina (76), Irã (70), Estados Unidos, Ucrânia e Rússia (65), México e Etiópia (50) e Brasil (41). A produtividade varia, em quilos por colmeia, entre Austrália e China (100), Argentina e Estados Unidos (35), México (25) e Brasil (15). Os dados são do FAOSTAT (2019).

O volume na produção mundial tem crescido nos últimos anos, mesmo com a dizimação de colmeias. Existe muita conquistados em certames internacionais por terem mel de primeira categoria. Isso mostra que podemos melhorar o nosso resultado econômico.

Em milhões de cabeças, temos grandes plantéis de bovinos (215), aves (243) e suínos (42) e altas produções de leite (33 bilhões de litros), ovos de galinha (4,2 bilhões de dúzias) e mel (41,4 mil toneladas). Mas o valor da produ- ção, em R$ bilhões, cai entre bovinos (76,3), aves (53,2), leite (31,9), suínos (13,9), ovos (10,4) e mel (0,5). Todos esses dados são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Nos últimos dez anos, os seis maiores estados no ranking nacional da produção foram: Rio Grande do Sul (17%), Paraná (15%), Santa Catarina (11%), Minas Gerais (10%), Piauí (9%) e São Paulo (8%).

Na apicultura, predominam pequenos e médios produtores. Dentro de uma propriedade rural, essa exploração é a quarta ou a quinta atividade do produtor. Da nossa produção, exportamos dois terços e consumimos um terço.

De 2015 a 2018, o preço do mel vendido valorizou, e as exportações anuais, em mil toneladas, passaram de 60 para 90. Como o Brasil foi o único país a vender o produto orgânico desabaram. O maior importador são os Estados Unidos, seguidos por Alemanha, Canadá e Reino Unido.

De maneira geral, a cadeia produtiva de mel inicia-se no campo (colmeias e ferramentas), passa pelo apicultor (casa de mel), vai para o entreposto (processamento, embalagem etação. Os elos da cadeia produtiva variam conforme a região.

Nas perspectivas e nas propostas para aumentar o consumo de mel, temos as ações governamentais (legislação e merenda escolar) e das associações (publicidade e exportações).

Trabalhamos para uma legislação mais efetiva com relação à rotulagem, de modo que o consumidor saiba a quantidade de mel existente no produto. O valor é grande no iogurte, na granola e nas barras de cereais. No aromático e no xarope expectorante, há o uso do mel na forma natural e pura.

Podemos incrementar o consumo de mel diário entre os 7 milhões de alunos nas merendas escolares no estado de digitais. Hoje, o mundo importa cerca de 700 mil toneladas do produto.

Enfocamos perspectivas de aumento da produtividade com a prosissionalização da apicultura. Fortalecidas, as associações poderiam treinar e capacitar produtores para multiplicar a produção.

INTEGRAÇÃO ENTRE AGRICULTURA E APICULTURA

Perigo potencial para abelhas, os inseticidas são desenvolvidos para matar insetos em maior ou menor grau a depender de biológico e a polinização.

Isso depende de uma série de fatores do inseticida: formula- cuidado na aplicação. Trata-se de um perigo potencial. Mas existem conhecimentos, técnicas, atitudes e procedimentos para mitigar tais problemas.

Há uma tabela extraída da Environmental Protection Agency (EPA), dos Estados Unidos, que mostra a alta toxidez da maior parte dos inseticidas para abelhas.

Não há como alimentar a população mundial sem polinização e controle de pragas. O fundamental é promover a integração entre essas duas atividades essenciais. Assim, devemos seguir com rigor as boas práticas agrícolas e apícolas, com a manutenção de diálogo constante entre apicultores e agricultores.

Com o condão de permitir a produção dos produtos agrícolas, a polinização representa cerca de 10% na geração da sojicultura, sem nenhum custo para comprar insumos. Esse ganho vai direto para a renda, a sustentação e a competitividade do produtor.

Precisamos olhar com atenção as vias de exposição do pesticida quando as abelhas estão presentes no campo e no momento de aplicação, a deriva para as áreas circunvizinhas e a aplicação direta sobre as áreas de abrigo e alimentação.

Para diminuir os riscos dos pesticidas para abelhas, cabe: (i) estimular o diálogo e a comunicação; (ii) seguir as boas práticas apícolas e agrícolas; (iii) seguir as recomendações do Manejo Integrado de Pragas (MIP); (iv) observar as recomendações (vi) seguir criteriosamente as recomendações para aplicação, da temperatura, do vento e da umidade e observação da distância de matas.

A integração entre agricultura e apicultura é um processo ganha-ganha entre o apicultor e o produtor agrícola, com maior produtividade, manutenção do custo e aumento da rentabilidade para ambos.

IMPORTÂNCIA DA POLINIZAÇÃO

A polinização é considera um serviço ecossistêmico fundamental para a manutenção do meio ambiente e a produção de alimentos. Antigamente, as plantações eram menores, com abelhas próximas para fazer a polinização na boom necessidade de se complementar a polinização comercial.

Existe uma diferença entre polinização ótima e polinização atual. Uma fazenda com pouca mata nativa e sem gestão aumentar a produtividade, ela terá de aumentar a quantidade de abelhas.

Nos Estados Unidos, os 2,1 milhões de colmeias existentes geram receitas de US$ 319 milhões com aluguéis.

Abelhas de todo o seu território vão à Califórnia para 90% da produção mundial. Com uma produção de 100 mil toneladas e um preço de US$ 2,50, o faturamento é de US$ 250 milhões.

Temos muito potencial para trabalhar com as quatro culturas importantes: soja, laranja, café e frutas. Ademais, estudos feitos no café, tanto na área de sequeiro, como na irrigada.

Trabalhamos com algumas iniciativas interessantes para a apicultura no Brasil: (i) o curso de habilitação sobre polinização para os aplicadores de defensivos; (ii) a regulamentação para a inclusão nas bulas de defensivos dos riscos com a aplicação de defensivos; (iii) a inclusão da apicultura nos currículos de Agronomia, Agroecologia, Biologia, Medicina Veterinária, Zootecnia, entre outras; (iv) a inclusão da apicultura como (ABC), do MAPA; e (v) a integração das cadeias agrícola e apícola na política do seguro rural.

Em termos de polinização, podemos selecionar algumas café, canola, laranja, soja e tomate) e as dependentes (abacate, girassol, macadâmia e maçã).

Os modelos de integração da apicultura com a produção agrícola são, também, maneiras de reduzir a mortandade de abelhas e aumentar a produtividade agrícola. Existem alguns projetos a serem citados, como na Usina São Manoel (Doce Suzano (integração eucalipto-apicultura) e na Usina Cofco (polinização em cana), entre outros.

Entendemos como muito importante a integração dos api- cultores à agricultura, com a inclusão crescente dos produtos de controle biológico no MIP.

PRECISAMOS PRESTIGIAR A POLINIZAÇÃO

Criada em outubro do ano passado, a CropLife Brasil é o re- sultado da união de cinco entidades: a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), a Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (BRASPOV), a Associação das Empresas de Biotecnologia na Agricultura e Agroindústria (AgroBio) e o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

Um dos temas importantes da nossa agenda é a parte de defesa vegetal. Existe o mito de queda na população de abelhas no mundo, mas dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em China, da Europa e dos Estados Unidos apresentaram queda de polinizadores.

Então, formou-se essa ideia da mortandade de abelhas por causa da má utilização de inseticidas. Nos últimos 150 anos, há dezenove registros de grandes perdas em suas populações. Esse processo não é novidade na agenda internacional. O

Existem publicações de estudos de alto nível feitos por pesquisadores que demonstram que a maior causa de mortandade vem do ácaro chamado varroa, infestador de colmeias e hospedeiro de um vírus fatal para as abelhas.

Do ponto de vista sanitário, é importante controlar a importação ilegal de abelhas e rainhas para evitar a transmissão de doenças de outros países do mundo. Também há os aspectos de mudança de hábitat por causa das variações climáticas.

Depois que o uso de neonicotinoides foi proibido e banido da União Europeia, estudos científicos na França mostram a queda de produtividade em algumas culturas importantes. A legislação começa a ser revisada nessa região. Aqui no Brasil, estamos acompanhamento esses acontecimentos.

Um dos grandes projetos da CropLife Brasil consiste na integração das políticas e das ações entre a ABEMEL e as indústrias. Precisamos usar direito o produto e prestigiar a polinização. A Câmara Setorial do Mel e Produtos Apícolas do MAPA, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) possuem uma série de iniciativas interessantes.

Já os efeitos da pandemia nos setores de defensivos e sementes estão minimizados, pois estes foram considerados como atividades essenciais pelo governo federal. De modo geral, as operações seguem normalmente. Existe uma preocupação do setor com relação aos processos de recuperação judicial de produtores rurais.

APOSTA NA SAFRA 2020/21

Com a maior participação individual na composição do custo culturas, como o algodão, a cana-de-açúcar e os hortifrútis, foram mais atingidas pela pandemia, assim como o Rio Grande do Sul pela seca. Nesses mercados, os fertilizantes devem apresentar uma queda de 3% a 4%. Nas culturas de soja e milho, os negócios estão se desenvolvendo naturalmente.

O processo do Rio de Janeiro é uma questão de segurança com a chegada da pandemia. A Yara está focada nas pessoas, na sociedade e em manter a sua produção e a sua distribuição.

Mantivemos os investimentos com salitre no Rio Grande do Sul (R$ 2 bilhões) e rocha fosfática em Minas Gerais (R$ 5 bilhões), com uma aposta forte de a agricultura brasileira

O País importa 75% do consumo anual de fertilizantes, em torno de 36 milhões de toneladas. Sugerimos antecipar a compra de fertilizantes para garantir o suprimento para a safra 2020/21, por conta de eventuais problemas nos Portos de Santos e de Paranaguá, onde estão concentradas as importações desse insumo.

COMENTÁRIOS FINAIS

Concordamos com as informações sobre a conjuntura de sementes, fertilizantes e defensivos. Os produtores precisam aproveitar esse momento de boa relação de trocas com a compra de insumos para uma grande safra 2020/21. O cenário é favorável, e não podemos jogar fora essa oportunidade.

Sobre a apicultura, os números são realmente impressionantes diante do potencial para aumentar a produtividade de uma série de culturas importantes. Apenas na soja, se aumentarmos em 10% a produtividade, o resulta- do será formidável. Para isso, não há recomendação mais relevante.

a atividade em particular. Trata-se de um grande negócio para melhorar a produtividade, mas que exige muita tecnologia e muito cuidado em relação à aplicação de defensivos agrícolas e outros insumos para agricultura.