ICOMEX: Exportações na Indústria de Transformação recuam em 8,5% em valores

Conforme o ICOMEX apresentado nesta sexta-feira pela FGV/Ibre, a corrente de comércio (exportações mais importações) recuou 4,6% entre 2018 e 2019. Tanto as exportações como as importações registraram queda de 6,4% e 2,1%, em valor, e o superávit da balança comercial caiu de US$ 58 bilhões para US$ 46,7 bilhões, nesse mesmo período.

As exportações da indústria de transformação recuaram em valor (-8,5%), volume (-3,4%) e preços (-5,3%). O menor crescimento da economia mundial e a crise na Argentina, principal compradora de produtos do setor automotivo do Brasil, contribuíram para esse resultado. O aumento das exportações de produtos da indústria de transformação suscita questões, porém, que vão além de fatores conjunturais. “Como já foi dito, as exportações dessa indústria dependem de melhora nos fatores que afetam a competitividade/produtividade. Itens como reforma tributária, investimentos em infraestrutura, medidas de facilitação do comércio, acesso a tarifas de importação mais baixas para insumos e bens de capital ajudam, mas os efeitos são de médio e longo prazo”, consideraram os técnicos.

O superávit da balança comercial decorreu em 2019 dos saldos positivos na agropecuária e da indústria extrativa, US$ 35,3 bilhões. Em contraste, o saldo da balança comercial da indústria de transformação foi negativo.

O déficit aumentou entre 2017 e 2018, sendo o crescimento do PIB igual nos dois anos, e com uma desvalorização da taxa efetiva em termos reais de 10%. Os dados da indústria de transformação mostram que, entre 2017 e 2018, as exportações cresceram 3,9% e as importações 20%, em valor.

Os dados da importação são superestimados e refletem mudanças no regime do REPETRO (relativas a plataformas de petróleo). Em volume, as importações da indústria de transformação cresceram 11,6% e, sem as plataformas de petróleo, 6,0%. Fica, no entanto, o fato de houve um aumento das importações com desvalorização cambial e crescimento do PIB igual.

Em 2019, o déficit aumentou com uma taxa projetada de crescimento do PIB ligeiramente inferior à de 2018 (1,2%), e com uma valorização cambial de 0,3%, entre 2018 e o ano passado. A principal causa da deterioração em valor está na queda das exportações, como já observado, junto a uma pequena queda em valor das importações, mas com aumento em volume. Se a taxa de crescimento da economia brasileira em 2020 for ao redor de 2%/2,5%, como sugerem algumas projeções, com um cenário internacional não muito favorável para a indústria agropecuária e extrativa (aumento no preço do petróleo decorrente de conflito causa incerteza no mercado), e com o aumento do déficit da indústria de transformação (como os dados apontam), o superávit comercial em 2020 será menor.

Principais parceiros comerciais do Brasil

O aumento do comércio em volume exportado e importado na relação com os Estados Unidos chama atenção. Quando se analisam os principais produtos há expansão nas trocas do setor de petróleo. Um exemplo é o crescimento em 234% das exportações e de 67,5% nas importações de gasolina, que passou a constar da lista dos 10 principais produtos na troca bilateral EUA-Brasil. Além disso, exportações de aviões contribuíram para o aumento do volume.

No caso do México, o aumento das exportações está associado a produtos do setor automotivo, como automóveis de passageiros com acréscimo de 110% das vendas brasileiras para esse mercado.

Em adição, a exportação de milho ganhou destaque com aumento de 1548%. . O México foi incluído na análise do ICOMEX.

A queda na China foi liderada pelo menor volume de exportação de soja e na Argentina, o resultado de um recuo em 31,8% era esperado com a crise do país. Os dados para a União Europeia são influenciados pela queda das exportações de plataforma (via Holanda) com as mudanças no regime REPETRO já analisadas em informes anteriores.

Se restrições que abalem o equilíbrio das contas externas não sejam esperadas, as exportações brasileiras poderão enfrentar um cenário não muito favorável. Além disso a se confirmarem as projeções de crescimento do PIB para 2020, haverá crescimento das importações superior ao de 2019. Por último, registra-se que o texto do ICOMEX foi reproduzido na seção do Setor Externo do Boletim Macro IBRE de janeiro de 2020 com exceção de algumas observações e análises.